Obesidade na Criança

Em Portugal, a prevalência de excesso de peso e obesidade está a adquirir uma proporção assustadora. Segundo um estudo recente, 33,3 % das crianças entre os 2 e os 12 anos tem excesso de peso, das quais 16,8% são obesas, ou seja, uma em cada três.

Em idade pediátrica, este excesso ponderal deve-se maioritariamente a um estilo de vida desadequado, a um desequilíbrio persistente entre as necessidades calóricas da criança e o seu gasto energético. Se a uma predisposição genética, juntarmos o sedentarismo, o consumo frequente de alimentos processados, nutricionalmente pobres mas ricos em açúcar refinado e gordura, temos uma receita explosiva.

No entanto, nenhuma criança fica obesa de um dia para o outro. A obesidade vai-se instalando dia após dia, mês após mês, sendo por isso possível preveni-la.

Mas por onde começar? Pela grávida! Está comprovado que a alimentação materna influencia não só o adequado crescimento e desenvolvimento fetal, como também a saúde futura do bebé e o seu maior ou menor grau de aceitação dos alimentos. Fala-se de uma “programação metabólica” que pode aumentar a susceptibilidade do feto para doenças como diabetes, doença cardiovascular e obesidade.

Após o nascimento, incentivar o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses e a introdução gradual da alimentação complementar, parece ter efeito protector no aparecimento da obesidade.

A forma de implementação da diversificação alimentar pode realmente fazer a diferença na educação para uma alimentação saudável, desde que se permita ao bebé uma familiarização com sabores/alimentos distintos. Trata-se de um processo de aprendizagem que não será fácil, que não deve ser posto em causa por uma recusa inicial mas encarado com muita paciência e persistência. Caso o bebé fique com uma alimentação monótona e limitada nestes primeiros anos de vida, este irá mantê-la pela adolescência, consumindo com frequência alimentos densamente calóricos e assim predispondo-o para a obesidade ou excesso de peso. A presença de obesidade na adolescência aumenta a probabilidade de termos um adulto obeso.

Quando a prevenção não funcionou e estamos perante uma criança com obesidade ou excesso de peso, não vamos fazer uma dieta restritiva, vamos educá-la sob o ponto de vista alimentar, incutindo hábitos de vida saudáveis, que perdurem ao longo da vida. Como as crianças refletem o modo como a família se alimenta, este trabalho terá que ser feito em conjunto com os pais, para se evitar a perpetuação de maus hábitos alimentares e a resolução do problema.

Mas não combatemos a obesidade ou o excesso de peso apenas com alimentação, temos que reduzir o sedentarismo, incentivando a prática regular de actividade física.  

Se a mulher procurar ter um aconselhamento alimentar na pré-concepção, na gravidez e no pós parto, se os pais melhorarem a oferta alimentar das crianças e estas praticarem actividade física regular estamos, sem dúvida, no bom caminho para prevenirmos a obesidade.

 

 

Ana Rita Lebreiro

Nutricionista