Alimentação para Prevenção do Cancro: Façamos a nossa Parte!

Mesmo que, infelizmente, não exista uma fórmula mágica que nos previna a 100% de virmos a ter cancro, há sempre comportamentos que contribuem para uma redução, significativa, do risco de este vir a aparecer: quer comportamentos alimentares, quer de estilo de vida.

Aquilo que comemos e o que não comemos tem um papel essencial na qualidade da nossa saúde e, claro, no nosso risco de vir a sofrer de uma doença oncológica. Caso haja uma história familiar de cancro, pequenas mudanças na dieta podem fazer a diferença na sua saúde a curto, médio e longo prazo. E se já foi diagnosticada/o com esta doença, ter uma alimentação rica em nutrientes só irá ajudar a fortalecer o seu organismo e a conseguir superar esta fase.

Por onde começar? Reestruturar a alimentação diária de forma a incluir mais alimentos ricos em compostos antioxidantes, como acontece com o grupo dos hortícolas e das frutas, em leguminosas, oleaginosas, cereais integrais e gorduras saudáveis, gorduras de origem vegetal. Ao mesmo tempo, deve diminuir o consumo frequente de alimentos como carnes processadas, carnes vermelhas, gordura animal ou açúcares refinados. Tudo é uma questão de equilíbrio, ter em conta o ditado: “nem sempre, nem nunca”. É possível, manter uma alimentação que favorece a diminuição do risco de vir a ter cancro e, ao mesmo tempo, ter prazer com aquilo que comemos!
 
Para ajudar no primeiro passo das mudanças de hábitos alimentares ficam aqui algumas recomendações mais concretas, que estão inseridas no Código Europeu Contra o Cancro:
 
Dê preferência aos cereais integrais.
Varie nos hortícolas e nas frutas que escolhe, use as cores para variar. Ás diversas cores associam-se nutrientes diferentes, com efeitos benéficos distintos. Dando dois exemplos, o licopeno presente no tomate e na melancia parece diminuir o risco de cancro da próstata, mama, fígado e cólon; e os carotenóides presentes na cenoura, abóbora e batata doce parecem reduzir o risco de cancro da mama, esófago e pulmão.
Coma diariamente fruta (3 peças ao dia) e tenha sempre uma dose generosa de hortícolas a acompanhar o prato, quer sob a forma cozinhada ou sob a forma de saladas cruas. 
Evite as carnes processadas (enchidos, carnes de fumeiro, chouriço ou salsichas) deixando-as para momentos ocasionais ao longo do mês;
Controle o consumo de carne vermelha, ou seja, não faça dela a sua carne de eleição e opte mais pelas carnes brancas;
Rejeite sempre as carnes carbonizadas na grelha, chapa ou no churrasco;
Se costuma consumir álcool, reduza o seu consumo e faço-o apenas em situações esporádicas.
Utilize mais vezes as leguminosas (como os diferentes feijões, grão-de-bico ou favas) para substituir a carne ou o peixe, nas refeições principais.
 
Como segundo passo ajuste o seu peso ao que é recomendado, tendo em conta a sua estatura e a sua idade, uma vez que o excesso de peso e a obesidade são fatores de risco para diversos tipos de cancro como o da mama, intestino, próstata, pâncreas, ovários, entre outros. Para isso procure a orientação de uma nutricionista que lhe elabore um plano alimentar equilibrado e orientado para a perda de peso gradual, juntamente com o seguimento de um plano de treino prescrito por um profissional do exercício físico. Não faça mudanças radicais e de pouca dura, opte por mudanças graduais e adaptadas a si, para estas serem eficazes e duradouras.
 
Entidades internacionais de pesquisa do cancro referem que 30 a 40% dos cancros podem ser prevenidos através do seguimento de uma dieta adequada, a prática de atividade física regular e a manutenção de um peso adequado, por isso façamos a nossa parte na prevenção!

 

Ana Rita Lebreiro

Nutricionista